domingo, 27 de outubro de 2013

Cap. 1 - A morte do Professor Júlio

CRAC!

O pescoço do Prof. Júlio fez um barulho medonho quando ele caiu da escada, estatelado no chão do pátio.

Alunos e funcionários da Comlurb correram para o pé da escada, assustados. Um murmúrio de horror percorreu o grupo. Uma aluna do 6º ano vomitou na hora; um menino do 9º desfaleceu. Cláudio, da Comlurb, tentava afastar as crianças, enquanto Dona Maria, veterana da limpeza, foi chamar a diretora.

Passado o susto, alguns alunos tentavam filmar e fotografar o cadáver com seus celulares - pois era óbvio que o Prof. Júlio estava morto. Durante a queda seu pescoço se deslocara de modo horrendo, numa torção impossível de quase cento e oitenta graus. Seu maxilar fora do lugar dava uma feição surreal ao rosto, como um retrato executado por um pintor expressionista. Os olhos exibiam uma expressão inescrutável.

Em minutos chegou a Profª Lucrécia, diretora da escola, acompanhada pela Dona Maria da Comlurb. Aos berros, como sempre. "Saiam daí! Agora! Todo mundo pra sala! Todo mundo pra sala!". Os alunos debandaram apavorados. "Dona" Lucrécia conduzia aquela escola com mão-de-ferro, temida por alunos, funcionários e professores. Todos ali já haviam testemunhado explosões coléricas daquela senhora aparentemente frágil. Mesmo assim, era uma situação atípica - a garotada se afastou, mas não obedeceu por completo. Na verdade, cada vez mais alunos engrossavam o grupo. Estavam em polvorosa, ora bolas! Alguns professores vinham chegando também, inclusive a Profª Isabel, diretora adjunta.

Lucrécia estava abaixada junto ao cadáver de Júlio. Pôs a mão sobre seu peito, para ver se respirava. Constatou o que já era óbvio. Morto. "Isabel!" - gritou - "Chame a Guarda Municipal e a Polícia! Agora!"

A diretora adjunta correu para a secretaria da escola.

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