segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cap. 2 - Detetive Duarte

O detetive Duarte, da Polícia Civil, chegou à Escola Municipal República de Genosha por volta de 9 da manhã. Foi recebido na porta pela D.ª Maria, da Comlurb, que foi rapidamente chamar a diretora adjunta.

Duarte lançou um rápido olhar pelo ambiente, para sentir como era a escola. O espaço físico era excepcionalmente bem conservado. O pátio externo era muito amplo, suas paredes bem cuidadas, não se vendo uma pichação, ou sequer sujeira. As paredes situadas sob a arcada eram decoradas com reproduções de quadros de Rugendas, Debret e Eckhout, além de algumas paisagens europeias. Havia ainda alguns trabalhos de alunos, geralmente imitações de obras de arte famosas; eram bem feitos, mas não mostravam qualquer expressão criativa.

O detetive também percebeu alguns cartazes com mensagens voltadas para os alunos: "A ordem traz o progresso"; "Disciplina - Chave para o sucesso"; "Aluno bom é aluno quieto". Um deles, maior que os outros, estampava: "O Silêncio é ouro", exibindo a imagem estilizada de uma menina com o dedo estendido sobre os lábios.

O último cartaz despertou a atenção de Duarte para um fato anômalo: a escola se mantinha no mais absoluto silêncio. Um silêncio denso, quase palpável. "Que estranho!", pensou, "Onde já se viu uma escola sem barulho, assim?!". Sua ex-mulher era professora, e, pelo que se lembrava, ela sempre se queixava justamente do barulho insuportável. No entanto, logo concluiu que os alunos tinham sido dispensados devido ao crime.

Nesse instante, chegava a Prof.ª Isabel, diretora adjunta. Era uma mulher de meia idade, empertigada e empetecada, vestido com elegância um tanto exagerada para o ambiente escolar; parecia trajada para uma ocasião muito formal. Caminhava com um ar de superioridade arrogante. Duarte supôs que devia ser uma pessoa insuportável.

"Bom dia!" - cumprimentou a professora. "Infelizmente, a Profª Lucrécia, nossa diretora, está ocupada fazendo ligações para a nossa CRE* e para a Secretaria de Educação. Ela poderá recebe-lo daqui a pouco, mas pediu para lhe avisar que, se o senhor quiser, tem doce de abóbora no refeitório".

"Não, obrigado; acabei de tomar café no caminho pra cá..." respondeu Duarte, enquanto imaginava que aquela seria uma diligência longa e irritante.

*CRE - Coordenadoria Regional de Educação

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