Enquanto Levinson saía, Duarte percebeu a Prof.ª Isabel trazendo uma outra professora. Era uma senhora bonita, bem conservada e bem arrumada, apesar de um penteado um tanto peculiar. A diretora adjunta explicou: "Como o senhor queria falar com os professores da turma 1702, resolvi ir adiantando! Essa é a Prof.ª Tatiana, que leciona Artes Visuais". Após os devidos cumprimentos, o detetive conduziu a professora ao interior da sala dos professores, onde sentaram à mesa.
Duarte percebeu que Tatiana mostrava um semblante calmo, mas os gestos nervosos das mãos traíam o quanto essa tranquilidade era encenada.
"E então, a senhora diria que a Kerollainy é uma boa aluna"?
"Na minha aula ela não dá trabalho".
"E o comportamento dela com os outros professores"?
"Não faço ideia" - respondeu Tatiana atabalhoadamente.
"Nem em relação ao Prof. Júlio? Parece que eles tinham alguns aborrecimentos"...
"Não tenho ideia".
A professora permanecia esquiva. O policial logo percebeu que não obteria grande coisa com essa entrevista. Tentou uma última sondagem:
"A senhora gostava do Prof. Júlio? Como ele era"?
Tatiana fez menção de falar, mas hesitou por um átimo de segundo. Por fim, respondeu: "Nunca tivemos muito contato. Nossos horários não costumavam bater". Duarte fez uma breve anotação em sua caderneta. A professora olhou teatralmente para seu relógio de pulso: "Já acabamos"? Resignado, Duarte dispensou-a com uma rápida despedida.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Cap. 10 - Um menino de coragem
Levinson continuava de pé, ofegando como uma fera acuada, ainda um tanto aturdido do ataque inesperado. Havia um bebedouro de galão no canto da sala dos professores. Duarte serviu ao menino água gelada em um copo descartável e ajeitou as cadeiras derrubadas na confusão, convidando o aluno a sentar-se novamente.
Após um profundo suspiro e uma pausa um tanto dramática, Levinson encarou o detetive com um olhar agoniado e repetiu: "É tudo mentira, tio"! O policial dirigiu ao garoto um sorriso encorajador e pediu: "Me conte a verdade, então. Kerollainy realmente empurrou o professor"? O menino olhou para o chão, constrangido, e sacudiu a cabeça afirmativamente, em silêncio. "Então qual é a mentira"?
"A Kerollainy, ela não é uma aluna ruim, não é bagunceira. Ela é amiga da Jessilaine". "Jessilaine"? "Minha irmã, elas estudam na mesma turma. A Kerollainy é muito estudiosa, só tira nota boa. Ela é toda quietinha, sabe. Esses moleque tavam mentindo porque a diretora mandou. Ela disse que a gente tinha que falar isso, senão ia expulsar a gente. Falou também que se a gente não mentisse pra você, ia botar a gente nesses negoço aí de desacato ao professor público". "Ao funcionário público", corrigiu o detetive. "Isso, essas parada aí, tio! Esses moleque são tudo cagão"! "Você é muito corajoso. Parabéns, é uma grande virtude".
Levinson ficou encabulado com o elogio. Um tanto tímido, falou: "Tio, a Kerollainy é legal pra caramba! Ela é a melhor amiga da minha irmã. Ela vai quase todo dia lá em casa pra estudar com a Jessilaine. A Jessilaine é meio burrinha, sabe? Mas aí a Kerollainy ajuda ela, porque ela é muito esperta. Eu fico lá junto com elas conversando. Eu acho ela linda demais"... Duarte logo percebeu que Levinson tinha uma quedinha pela menina, mas não estava mentindo. Se quisesse enganar o detetive, teria desmentido o empurrão na escada.
"Me disseram que ela tinha problemas com o Prof. Júlio", provocou o policial. "Ele perseguia a Kerollainy, tio! De graça, ele sempre arrumava um caô pra botar ela de castigo depois da hora. Dizia que ela tava falando na hora da aula. Aqui a gente não pode falar nada, nada! Geral fica até com medo de fazer pergunta e ir pro castigo! Aí ele sempre inventava que tava ouvindo a Kerollainy. Ele faz isso também com a Maria Eduarda, da minha turma". "Você também é aluno do Prof. Júlio"? "Ele dá aula pra minha turma, sim. Dava aula"... "Você acha que ele era um bom professor"?
Levinson fez uma careta de desaprovação: "Ruinzão! A aula dele é chata pra caaa...raca. Ninguém aprende nada com ele. E ele ainda fica ensinando parada de igreja que não tem nada a ver". "Coisas de igreja"? "É, negoço de Ave Maria, Pai Nosso; todo mundo tem que rezar no começo da aula. Pô, eu não gosto disso, não. A gente somos crente lá em casa. Uma vez ele passou um trabalho que a gente tinha que fazer lá uma cruz, com aquelas parada de ângulo reto, essas coisa assim, mas tinha que depois colar um desenho de Jesus em cima, assim. Aí eu não fiz e ele me deu zero". Duarte se perguntava que parte da escola laica era tão difícil entender; sua ex já tinha falado de situações assim na escola onde trabalhava.
"Você gosta de estudar aqui, Levinson"? "Eu?! Não! Eu gostava da minha escola antiga, a tia era muito legal. Mas aí minha mãe arrumou vaga aqui, dizem que é a escola melhor do bairro, mas eu acho uma droga! Não pode fazer nada, essa diretora é cheia de história pra cima da gente! Ela grita com os aluno, grita com os professores! A dona Isabel também é chatona. No começo do ano tinha um professor maneirão, o Prof. Gilson, de História. Mas aí ele brigou com a Dona Lucrécia e foi embora, ela nem deixou ele se despedir da gente. Ela disse que ele ia ser mandado embora, porque ela mandou lá na CRE demitirem ele. Mas é caô, porque o meu vizinho estuda lá numa outra escola, a Roberto Gomes, que tem lá do outro lado da linha do trem. Aí ele tá dando aula lá. Sorte deles".
Duarte agradeceu ao menino e ofereceu mais um copo d`água, que ele tomou lentamente, em silêncio. Levinson se levantou e caminhou até a porta. Parou por um instante, e voltou-se para o policial: "Tio, a Kerollainy vai pra cadeia"? Duarte olhou seriamente para o menino, sentindo o peso do universo sobre o peito: "Não sei. Não sei... Espero que não".
Lágrimas silenciosas rolaram pelo rosto de Levinson. O garoto saiu sem se despedir.
Após um profundo suspiro e uma pausa um tanto dramática, Levinson encarou o detetive com um olhar agoniado e repetiu: "É tudo mentira, tio"! O policial dirigiu ao garoto um sorriso encorajador e pediu: "Me conte a verdade, então. Kerollainy realmente empurrou o professor"? O menino olhou para o chão, constrangido, e sacudiu a cabeça afirmativamente, em silêncio. "Então qual é a mentira"?
"A Kerollainy, ela não é uma aluna ruim, não é bagunceira. Ela é amiga da Jessilaine". "Jessilaine"? "Minha irmã, elas estudam na mesma turma. A Kerollainy é muito estudiosa, só tira nota boa. Ela é toda quietinha, sabe. Esses moleque tavam mentindo porque a diretora mandou. Ela disse que a gente tinha que falar isso, senão ia expulsar a gente. Falou também que se a gente não mentisse pra você, ia botar a gente nesses negoço aí de desacato ao professor público". "Ao funcionário público", corrigiu o detetive. "Isso, essas parada aí, tio! Esses moleque são tudo cagão"! "Você é muito corajoso. Parabéns, é uma grande virtude".
Levinson ficou encabulado com o elogio. Um tanto tímido, falou: "Tio, a Kerollainy é legal pra caramba! Ela é a melhor amiga da minha irmã. Ela vai quase todo dia lá em casa pra estudar com a Jessilaine. A Jessilaine é meio burrinha, sabe? Mas aí a Kerollainy ajuda ela, porque ela é muito esperta. Eu fico lá junto com elas conversando. Eu acho ela linda demais"... Duarte logo percebeu que Levinson tinha uma quedinha pela menina, mas não estava mentindo. Se quisesse enganar o detetive, teria desmentido o empurrão na escada.
"Me disseram que ela tinha problemas com o Prof. Júlio", provocou o policial. "Ele perseguia a Kerollainy, tio! De graça, ele sempre arrumava um caô pra botar ela de castigo depois da hora. Dizia que ela tava falando na hora da aula. Aqui a gente não pode falar nada, nada! Geral fica até com medo de fazer pergunta e ir pro castigo! Aí ele sempre inventava que tava ouvindo a Kerollainy. Ele faz isso também com a Maria Eduarda, da minha turma". "Você também é aluno do Prof. Júlio"? "Ele dá aula pra minha turma, sim. Dava aula"... "Você acha que ele era um bom professor"?
Levinson fez uma careta de desaprovação: "Ruinzão! A aula dele é chata pra caaa...raca. Ninguém aprende nada com ele. E ele ainda fica ensinando parada de igreja que não tem nada a ver". "Coisas de igreja"? "É, negoço de Ave Maria, Pai Nosso; todo mundo tem que rezar no começo da aula. Pô, eu não gosto disso, não. A gente somos crente lá em casa. Uma vez ele passou um trabalho que a gente tinha que fazer lá uma cruz, com aquelas parada de ângulo reto, essas coisa assim, mas tinha que depois colar um desenho de Jesus em cima, assim. Aí eu não fiz e ele me deu zero". Duarte se perguntava que parte da escola laica era tão difícil entender; sua ex já tinha falado de situações assim na escola onde trabalhava.
"Você gosta de estudar aqui, Levinson"? "Eu?! Não! Eu gostava da minha escola antiga, a tia era muito legal. Mas aí minha mãe arrumou vaga aqui, dizem que é a escola melhor do bairro, mas eu acho uma droga! Não pode fazer nada, essa diretora é cheia de história pra cima da gente! Ela grita com os aluno, grita com os professores! A dona Isabel também é chatona. No começo do ano tinha um professor maneirão, o Prof. Gilson, de História. Mas aí ele brigou com a Dona Lucrécia e foi embora, ela nem deixou ele se despedir da gente. Ela disse que ele ia ser mandado embora, porque ela mandou lá na CRE demitirem ele. Mas é caô, porque o meu vizinho estuda lá numa outra escola, a Roberto Gomes, que tem lá do outro lado da linha do trem. Aí ele tá dando aula lá. Sorte deles".
Duarte agradeceu ao menino e ofereceu mais um copo d`água, que ele tomou lentamente, em silêncio. Levinson se levantou e caminhou até a porta. Parou por um instante, e voltou-se para o policial: "Tio, a Kerollainy vai pra cadeia"? Duarte olhou seriamente para o menino, sentindo o peso do universo sobre o peito: "Não sei. Não sei... Espero que não".
Lágrimas silenciosas rolaram pelo rosto de Levinson. O garoto saiu sem se despedir.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Cap. 9 - As testemunhas
Duarte entrou na sala dos professores. Três meninos estavam sentados à mesa, muito quietos. Um deles era bem baixinho e mirradinho; trazia a expressão um tanto emburrada, enquanto seus colegas aparentavam grande nervosismo. O detetive cumprimentou silenciosamente os meninos, acenando com a cabeça. Antes de se sentar para a conversa, percorreu as paredes da sala, examinando os curiosos papéis afixados nos murais, que diziam bastante sobre a vida naquela escola.
Sentou-se, com expressão muito séria. A melhor coisa a fazer ali seria deixar os meninos falarem livremente; a verdade iria emergir sem grande dificuldade, imaginou. O detetive e os alunos se apresentaram rapidamente. O menorzinho emburrado se chamava Levinson, e estudava no 6.º ano; outro era gorducho, se chamava Pedro Henrique e estava no 7.º, na mesma turma de Kerollainy, 1702; o terceiro era Maicon, estudante do 9.º ano.
Duarte sorriu ambiguamente: "Sou todo ouvidos, meninos". Quase um minuto de tenso silêncio se passou até que Pedro Henrique disparasse: "Foi a Kerollainy, seu guarda! Foi ela que empurrou o Prof. Júlio da escada!"
"Foi mermo, detetive! A gente viu tudo, né"? - acrescentou Maicon - "Arrente távamo no corredor, entrano nas sala, aí ela impurrô o professor"!
Pedro Henrique interrompeu: "Mas antes eles tavam falando umas paradas, tipo assim, conversando! Aí a Kerollainy ficou toda nervosinha e empurrou o professor"! Levinson estava quieto, aparentemente ficando cada vez mais irritado; Duarte reparou o quanto sua fisionomia ainda era infantil.
"Aí o professor foi se estabacano da escada, bateno tudo, tudo! Aí arrente desceu correno pra ver como é que ele tava. Aí juntou o mó galerão em volta pra olhar. Eu nem consegui ver a cara dele, falaro que tava bizarro! Aí do nada chegou a diretora gritano parrente, aí saiu geral correno" - complementou Maicon.
Pedro Henrique encerrou o relato: "Depois que o Prof. Júlio caiu, a Kerollainy continuou lá em cima da escada, paradona, com a cara meia estranha". Duarte observou atentamente a expressão dos três. Maicon e Pedro Henrique pareciam exaustos, como se tivessem acabado de completar uma maratona. O pequeno Levinson parecia a ponto de explodir. Após breves instantes de reflexão, o detetive resolveu seu próximo passo:
"Como é o comportamento dessa Kerollainy? Ela é boa aluna"? Maicon e Pedro Henrique ficaram visivelmente tensos, e trocaram um olhar indeciso; Pedro Henrique tomou a iniciativa novamente: "Não é não, seu guarda! Essa menina não quer nada, fica só de fofoquinha e de malcriação com os professores". Maicon concordou: "É, ela fica respondeno os professores, vive de cartigo"! "Ela não estuda, não copia matéria, não faz trabalho, só tira nota ruim...", prosseguiu Pedro Henrique.
Maicon abria a boca para falar alguma coisa, quando foi interrompido por um grito: "Tudo mentira, tio! Não acredita neles, não"! A reação de Levinson foi exatamente aquela imaginada por Duarte.
"Cala a boca, moleque"! - repreendeu Pedro Henrique, seguido por Maicon: "Tá maluco, neguim"?! Os dois pareciam aterrorizados.
"Tô maluco nada, seus mentiroso! Eu num tenho medo dessa mulé, não, seus viadinho! Ainda vou falar um palavrão pra ela"! - Levinson berrava exaltado - "Eu odeio essa escola"!
Pedro Henrique dirigiu um olhar quase suplicante ao detetive: "Ele tá de palhaçada, seu guarda! Esse moleque é maluco"! Quase paralisado de pânico, Maicon suava em bicas, apesar do ar condicionado.
"Tio, me ouve, por favor! Eu tô falando a verdade! A Kerollainy é mó nerd, ela é amiga da minha irmã! Foi a diretora que mandou a gente mentir, tio! A Kerollainy só tira notão"! - Levinson olhava o detetive no fundo dos olhos, exibindo a coragem dos justos. Nesse momento, Maicon saiu subitamente de sua imobilidade. "Calaboca"!!! O rapaz do 9.º ano se abateu violentamente sobre Levinson; os dois caíram no chão, se engalfinhando! Pedro Henrique olhava atônito, com olhos do tamanho da lua.
Duarte agiu rapidamente, agarrando Maicon pelo braço e erguendo-o do chão; caindo em si, o garoto começou a chorar desesperado. Levinson se levantou enfurecido, com a blusa rasgada, pronto para atacar o colega mais velho. O policial estendeu a mão em sua direção: "Chega, Levinson! Está tudo bem. Maicon e Pedro Henrique, saiam, por favor. Quero conversar sozinho com o Levinson".
O detetive abriu a porta com um gesto convidativo; os dois meninos se retiraram com ar derrotado. Maicon chorava copiosamente, murmurando: "Minha mãe vai me arrebentar"... Duarte fechou a porta. Levinson ainda estava parado de pé, ofegante. "Pronto, meu caro. Agora, vamos ouvir a sua versão da história"!
Sentou-se, com expressão muito séria. A melhor coisa a fazer ali seria deixar os meninos falarem livremente; a verdade iria emergir sem grande dificuldade, imaginou. O detetive e os alunos se apresentaram rapidamente. O menorzinho emburrado se chamava Levinson, e estudava no 6.º ano; outro era gorducho, se chamava Pedro Henrique e estava no 7.º, na mesma turma de Kerollainy, 1702; o terceiro era Maicon, estudante do 9.º ano.
Duarte sorriu ambiguamente: "Sou todo ouvidos, meninos". Quase um minuto de tenso silêncio se passou até que Pedro Henrique disparasse: "Foi a Kerollainy, seu guarda! Foi ela que empurrou o Prof. Júlio da escada!"
"Foi mermo, detetive! A gente viu tudo, né"? - acrescentou Maicon - "Arrente távamo no corredor, entrano nas sala, aí ela impurrô o professor"!
Pedro Henrique interrompeu: "Mas antes eles tavam falando umas paradas, tipo assim, conversando! Aí a Kerollainy ficou toda nervosinha e empurrou o professor"! Levinson estava quieto, aparentemente ficando cada vez mais irritado; Duarte reparou o quanto sua fisionomia ainda era infantil.
"Aí o professor foi se estabacano da escada, bateno tudo, tudo! Aí arrente desceu correno pra ver como é que ele tava. Aí juntou o mó galerão em volta pra olhar. Eu nem consegui ver a cara dele, falaro que tava bizarro! Aí do nada chegou a diretora gritano parrente, aí saiu geral correno" - complementou Maicon.
Pedro Henrique encerrou o relato: "Depois que o Prof. Júlio caiu, a Kerollainy continuou lá em cima da escada, paradona, com a cara meia estranha". Duarte observou atentamente a expressão dos três. Maicon e Pedro Henrique pareciam exaustos, como se tivessem acabado de completar uma maratona. O pequeno Levinson parecia a ponto de explodir. Após breves instantes de reflexão, o detetive resolveu seu próximo passo:
"Como é o comportamento dessa Kerollainy? Ela é boa aluna"? Maicon e Pedro Henrique ficaram visivelmente tensos, e trocaram um olhar indeciso; Pedro Henrique tomou a iniciativa novamente: "Não é não, seu guarda! Essa menina não quer nada, fica só de fofoquinha e de malcriação com os professores". Maicon concordou: "É, ela fica respondeno os professores, vive de cartigo"! "Ela não estuda, não copia matéria, não faz trabalho, só tira nota ruim...", prosseguiu Pedro Henrique.
Maicon abria a boca para falar alguma coisa, quando foi interrompido por um grito: "Tudo mentira, tio! Não acredita neles, não"! A reação de Levinson foi exatamente aquela imaginada por Duarte.
"Cala a boca, moleque"! - repreendeu Pedro Henrique, seguido por Maicon: "Tá maluco, neguim"?! Os dois pareciam aterrorizados.
"Tô maluco nada, seus mentiroso! Eu num tenho medo dessa mulé, não, seus viadinho! Ainda vou falar um palavrão pra ela"! - Levinson berrava exaltado - "Eu odeio essa escola"!
Pedro Henrique dirigiu um olhar quase suplicante ao detetive: "Ele tá de palhaçada, seu guarda! Esse moleque é maluco"! Quase paralisado de pânico, Maicon suava em bicas, apesar do ar condicionado.
"Tio, me ouve, por favor! Eu tô falando a verdade! A Kerollainy é mó nerd, ela é amiga da minha irmã! Foi a diretora que mandou a gente mentir, tio! A Kerollainy só tira notão"! - Levinson olhava o detetive no fundo dos olhos, exibindo a coragem dos justos. Nesse momento, Maicon saiu subitamente de sua imobilidade. "Calaboca"!!! O rapaz do 9.º ano se abateu violentamente sobre Levinson; os dois caíram no chão, se engalfinhando! Pedro Henrique olhava atônito, com olhos do tamanho da lua.
Duarte agiu rapidamente, agarrando Maicon pelo braço e erguendo-o do chão; caindo em si, o garoto começou a chorar desesperado. Levinson se levantou enfurecido, com a blusa rasgada, pronto para atacar o colega mais velho. O policial estendeu a mão em sua direção: "Chega, Levinson! Está tudo bem. Maicon e Pedro Henrique, saiam, por favor. Quero conversar sozinho com o Levinson".
O detetive abriu a porta com um gesto convidativo; os dois meninos se retiraram com ar derrotado. Maicon chorava copiosamente, murmurando: "Minha mãe vai me arrebentar"... Duarte fechou a porta. Levinson ainda estava parado de pé, ofegante. "Pronto, meu caro. Agora, vamos ouvir a sua versão da história"!
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