Como Duarte imaginava, o Prof. Otávio mentira; no boletim, constava que a última nota de Kerollainy em Geografia tinha sido três - e não quatro e meio. Aliás, o repentino surto de memória do professor já dizia tudo.
O detetive se pegou mais uma vez atento ao silêncio da escola. Parecia agora que o prédio tinha mergulhando num mutismo quase letárgico; não se ouvia sequer o mínimo ruído. Subitamente o policial tomou um susto que fez seu coração disparar. Um estrondo terrível! Era o ribombar de um trovão, ecoando com violência. Logo a seguir, despencou sobre a escola o barulho ensurdecedor da chuva, potencializado pelo silêncio, tornando-se um ruído quase indistinguível, avolumando-se num chiado angustiante. Duarte sentiu a perturbadora impressão de estar dentro de uma televisão mal sintonizada; visto daquela escola, o mundo parecia apenas uma televisão mal sintonizada. Que lugar!
Mergulhado em suas reflexões, não ouviu a chegada da diretora adjunta. Abrindo a porta, Isabel trazia agora uma mocinha bonita, que aparentava seus vinte e poucos anos - era a Prof.ª Carla, de Inglês. Mal dava para imaginar que era uma professora; devia ter acabado de sair da universidade. Carla parecia muito, muito encabulada.
Sentou-se à mesa com o olhar baixo, encarando o chão. Duarte imaginou que poderia ser uma boa informante; deixou-a em silêncio por longos minutos, mas finalmente perguntou: "E então"?! Carla continuava olhando para os quadrados de cerâmica do chão. "Não gostaria de me dizer nada"?
Com um movimento lento, quase melodramático, a professora olhou nos olhos do detetive, pronunciando um sussurro: "Não posso falar".
"Claro que pode"! Exclamou Duarte. "Deve falar! O que saberia me dizer a respeito de Kerollainy"?
Carla se encolheu, como se a tivessem espetado com uma agulha. Curvando-se ligeiramente, um tanto trêmula, falou em volume quase inaudível: "Não quero... mentir..." Seu rosto corou. "Então fale a verdade", retrucou o policial, com firmeza.
A professora respirou fundo, como se tomasse fôlego para um esforço imenso. Por fim, respondeu, sempre sussurrando, talvez ainda mais baixo: "Ela é ótima aluna"! Carla mordeu os lábios e olhou furtivamente para a porta, tensa. Duarte consultou rapidamente o boletim. "Há algum equívoco... Aqui consta que as notas de Kerollainy em Inglês foram três, cinco e meio, e quatro"!
Carla olhou novamente para a porta, como se tentasse enxergar através dela. Após longa pausa, curvou-se mais ainda; seu queixo quase encostava na mesa: "É mentira! A diretora mandou nós mentirmos"! Duarte não pôde conter uma careta de estranhamento: "Ela não pode fazer isso"! Constrangida, a professora retrucou: "Pode, sim! Ela tem... poderes... que outros diretores não têm"! "Poderes? Como assim"? "Ela é muito influente na CRE, na Secretaria de Educação..." - Carla abaixou novamente o olhar - "Eu ainda estou em estágio probatório..."
"Mas isso é assédio moral"!!! - Duarte bradou. Falou tão alto que a jovem professora tremeu de alto a baixo: "Shhhh"!
"Desculpe" - falou o detetive, voltando a seu volume normal - "Fique tranquila, só quero mais informações. Como era o Prof. Júlio"? Carla tomou fôlego novamente, e concluiu de uma vez: "Eu tenho MEDO dele! Ninguém aqui gostava dele. Ele vivia junto à Lucrécia e à Isabel, sempre fofocando, delatando todo mundo"... Com expressão um tanto risonha, acrescentou: "Alguns colegas chamam ele de 'Professor Buldogue", vigiando todo mundo"!
Duarte não segurou um sorriso. Ia fazer outra pergunta, quando ouviu um som de explosão.
Lições de silêncio - Morte na escola
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Cap. 12 - O professor de Geografia
Enquanto aguardava que Isabel trouxesse o próximo entrevistado, Duarte aproveitou para dar uma olhada no quadro de horários dos professores, afixado com fita adesiva à porta de um armário. Uma rápida verificação foi suficiente para perceber que havia algo errado com as afirmações da Prof.ª Tatiana. Segundo a planilha indicava, ela e o Prof. Júlio tinham tempos vagos em comum durante três dias da semana. A escola era pequena demais para que os dois nunca tivessem contato nesses horários, especialmente na sala dos professores. Mesmo que se falassem pouco, ela deveria ter alguma opinião sobre o colega - o que, inclusive, justificaria a falta de contato. "De duas uma: ou ela está mentindo descaradamente ou, pelo menos, evitando se comprometer" - concluiu o detetive. Ambas alternativas pareciam confirmar suas suspeitas de que havia algo errado na Escola Municipal República de Genosha.
Após alguns minutos de espera, a diretora adjunta bateu na porta, conduzindo outro professor. Dessa vez se tratava de um homem em torno de seus quarenta e cinco anos, trajando roupas esportivas, apresentado como Prof. Otávio, de Geografia. Estava visivelmente agitado, piscando nervosamente os olhos.
Duarte e o professor sentaram-se à mesa. Otávio parecia uma besta acuada. O detetive resolveu que era hora de jogar duro. Durante mais de um minuto observou silenciosamente o professor, de quando em quando traçando anotações no caderno - apenas notas aleatórias, mas Otávio mostrava pequenos sobressaltos a cada vez que o policial escrevia alguma coisa. Por fim, julgando que a tensão já era suficiente, sem alterar a voz, o detetive perguntou à queima-roupa: "E então, o que vocês estão escondendo"?
O professor arregalou os olhos, gaguejando: "Q-quê"?
"Sei que estão mentindo para mim. O senhor tem ideia do quanto é grave prestar falso testemunho"?
Otávio partiu para a defensiva: "Só não quero me envolver com essa história"!
"História? Que história? Da armação"?
"Armação? Eu... eu... nem falei com a Lucrécia"!
"Lucrécia? Quem falou na Prof.ª Lucrécia? A carapuça está servindo"?! - Otávio engoliu em seco, com um olhar suplicante; sempre calmo, o detetive prosseguiu: "Do que vocês todos estão com medo aqui"?
Numa súbita explosão, o professor pôs-se de pé: "Agora chega! Não vou ficar aqui ouvindo essas calúnias! Só falo na presença de um advogado"!
Duarte sorriu: "Calma, calma... Não precisamos desse nervosismo todo. Quero fazer apenas uma pergunta, depois o senhor pode ir embora tranquilamente". Em tom de ansioso alívio, como se prestes a escapar da jaula de um leão, o professor respondeu: "Diga, então! Estou com alunos lá em cima"...
Após breve pausa, o detetive perguntou: "Qual foi a nota de Kerollainy em sua disciplina no último bimestre"? Depois de alguns segundos hesitante, o professor respondeu: "Foi... quatro e meio"! Duarte anotou a resposta em sua caderneta. Em seguida, sorriu ironicamente: "Que boa memória"! Otávio enrubesceu como um tomate maduro: "Se... se isso é tudo... vou andando pra minha sala"! Sem dar tempo ao detetive, Otávio fugiu da sala dos professores como uma criança travessa...
Após alguns minutos de espera, a diretora adjunta bateu na porta, conduzindo outro professor. Dessa vez se tratava de um homem em torno de seus quarenta e cinco anos, trajando roupas esportivas, apresentado como Prof. Otávio, de Geografia. Estava visivelmente agitado, piscando nervosamente os olhos.
Duarte e o professor sentaram-se à mesa. Otávio parecia uma besta acuada. O detetive resolveu que era hora de jogar duro. Durante mais de um minuto observou silenciosamente o professor, de quando em quando traçando anotações no caderno - apenas notas aleatórias, mas Otávio mostrava pequenos sobressaltos a cada vez que o policial escrevia alguma coisa. Por fim, julgando que a tensão já era suficiente, sem alterar a voz, o detetive perguntou à queima-roupa: "E então, o que vocês estão escondendo"?
O professor arregalou os olhos, gaguejando: "Q-quê"?
"Sei que estão mentindo para mim. O senhor tem ideia do quanto é grave prestar falso testemunho"?
Otávio partiu para a defensiva: "Só não quero me envolver com essa história"!
"História? Que história? Da armação"?
"Armação? Eu... eu... nem falei com a Lucrécia"!
"Lucrécia? Quem falou na Prof.ª Lucrécia? A carapuça está servindo"?! - Otávio engoliu em seco, com um olhar suplicante; sempre calmo, o detetive prosseguiu: "Do que vocês todos estão com medo aqui"?
Numa súbita explosão, o professor pôs-se de pé: "Agora chega! Não vou ficar aqui ouvindo essas calúnias! Só falo na presença de um advogado"!
Duarte sorriu: "Calma, calma... Não precisamos desse nervosismo todo. Quero fazer apenas uma pergunta, depois o senhor pode ir embora tranquilamente". Em tom de ansioso alívio, como se prestes a escapar da jaula de um leão, o professor respondeu: "Diga, então! Estou com alunos lá em cima"...
Após breve pausa, o detetive perguntou: "Qual foi a nota de Kerollainy em sua disciplina no último bimestre"? Depois de alguns segundos hesitante, o professor respondeu: "Foi... quatro e meio"! Duarte anotou a resposta em sua caderneta. Em seguida, sorriu ironicamente: "Que boa memória"! Otávio enrubesceu como um tomate maduro: "Se... se isso é tudo... vou andando pra minha sala"! Sem dar tempo ao detetive, Otávio fugiu da sala dos professores como uma criança travessa...
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Cap. 11 - A professora de Artes Visuais
Enquanto Levinson saía, Duarte percebeu a Prof.ª Isabel trazendo uma outra professora. Era uma senhora bonita, bem conservada e bem arrumada, apesar de um penteado um tanto peculiar. A diretora adjunta explicou: "Como o senhor queria falar com os professores da turma 1702, resolvi ir adiantando! Essa é a Prof.ª Tatiana, que leciona Artes Visuais". Após os devidos cumprimentos, o detetive conduziu a professora ao interior da sala dos professores, onde sentaram à mesa.
Duarte percebeu que Tatiana mostrava um semblante calmo, mas os gestos nervosos das mãos traíam o quanto essa tranquilidade era encenada.
"E então, a senhora diria que a Kerollainy é uma boa aluna"?
"Na minha aula ela não dá trabalho".
"E o comportamento dela com os outros professores"?
"Não faço ideia" - respondeu Tatiana atabalhoadamente.
"Nem em relação ao Prof. Júlio? Parece que eles tinham alguns aborrecimentos"...
"Não tenho ideia".
A professora permanecia esquiva. O policial logo percebeu que não obteria grande coisa com essa entrevista. Tentou uma última sondagem:
"A senhora gostava do Prof. Júlio? Como ele era"?
Tatiana fez menção de falar, mas hesitou por um átimo de segundo. Por fim, respondeu: "Nunca tivemos muito contato. Nossos horários não costumavam bater". Duarte fez uma breve anotação em sua caderneta. A professora olhou teatralmente para seu relógio de pulso: "Já acabamos"? Resignado, Duarte dispensou-a com uma rápida despedida.
Duarte percebeu que Tatiana mostrava um semblante calmo, mas os gestos nervosos das mãos traíam o quanto essa tranquilidade era encenada.
"E então, a senhora diria que a Kerollainy é uma boa aluna"?
"Na minha aula ela não dá trabalho".
"E o comportamento dela com os outros professores"?
"Não faço ideia" - respondeu Tatiana atabalhoadamente.
"Nem em relação ao Prof. Júlio? Parece que eles tinham alguns aborrecimentos"...
"Não tenho ideia".
A professora permanecia esquiva. O policial logo percebeu que não obteria grande coisa com essa entrevista. Tentou uma última sondagem:
"A senhora gostava do Prof. Júlio? Como ele era"?
Tatiana fez menção de falar, mas hesitou por um átimo de segundo. Por fim, respondeu: "Nunca tivemos muito contato. Nossos horários não costumavam bater". Duarte fez uma breve anotação em sua caderneta. A professora olhou teatralmente para seu relógio de pulso: "Já acabamos"? Resignado, Duarte dispensou-a com uma rápida despedida.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Cap. 10 - Um menino de coragem
Levinson continuava de pé, ofegando como uma fera acuada, ainda um tanto aturdido do ataque inesperado. Havia um bebedouro de galão no canto da sala dos professores. Duarte serviu ao menino água gelada em um copo descartável e ajeitou as cadeiras derrubadas na confusão, convidando o aluno a sentar-se novamente.
Após um profundo suspiro e uma pausa um tanto dramática, Levinson encarou o detetive com um olhar agoniado e repetiu: "É tudo mentira, tio"! O policial dirigiu ao garoto um sorriso encorajador e pediu: "Me conte a verdade, então. Kerollainy realmente empurrou o professor"? O menino olhou para o chão, constrangido, e sacudiu a cabeça afirmativamente, em silêncio. "Então qual é a mentira"?
"A Kerollainy, ela não é uma aluna ruim, não é bagunceira. Ela é amiga da Jessilaine". "Jessilaine"? "Minha irmã, elas estudam na mesma turma. A Kerollainy é muito estudiosa, só tira nota boa. Ela é toda quietinha, sabe. Esses moleque tavam mentindo porque a diretora mandou. Ela disse que a gente tinha que falar isso, senão ia expulsar a gente. Falou também que se a gente não mentisse pra você, ia botar a gente nesses negoço aí de desacato ao professor público". "Ao funcionário público", corrigiu o detetive. "Isso, essas parada aí, tio! Esses moleque são tudo cagão"! "Você é muito corajoso. Parabéns, é uma grande virtude".
Levinson ficou encabulado com o elogio. Um tanto tímido, falou: "Tio, a Kerollainy é legal pra caramba! Ela é a melhor amiga da minha irmã. Ela vai quase todo dia lá em casa pra estudar com a Jessilaine. A Jessilaine é meio burrinha, sabe? Mas aí a Kerollainy ajuda ela, porque ela é muito esperta. Eu fico lá junto com elas conversando. Eu acho ela linda demais"... Duarte logo percebeu que Levinson tinha uma quedinha pela menina, mas não estava mentindo. Se quisesse enganar o detetive, teria desmentido o empurrão na escada.
"Me disseram que ela tinha problemas com o Prof. Júlio", provocou o policial. "Ele perseguia a Kerollainy, tio! De graça, ele sempre arrumava um caô pra botar ela de castigo depois da hora. Dizia que ela tava falando na hora da aula. Aqui a gente não pode falar nada, nada! Geral fica até com medo de fazer pergunta e ir pro castigo! Aí ele sempre inventava que tava ouvindo a Kerollainy. Ele faz isso também com a Maria Eduarda, da minha turma". "Você também é aluno do Prof. Júlio"? "Ele dá aula pra minha turma, sim. Dava aula"... "Você acha que ele era um bom professor"?
Levinson fez uma careta de desaprovação: "Ruinzão! A aula dele é chata pra caaa...raca. Ninguém aprende nada com ele. E ele ainda fica ensinando parada de igreja que não tem nada a ver". "Coisas de igreja"? "É, negoço de Ave Maria, Pai Nosso; todo mundo tem que rezar no começo da aula. Pô, eu não gosto disso, não. A gente somos crente lá em casa. Uma vez ele passou um trabalho que a gente tinha que fazer lá uma cruz, com aquelas parada de ângulo reto, essas coisa assim, mas tinha que depois colar um desenho de Jesus em cima, assim. Aí eu não fiz e ele me deu zero". Duarte se perguntava que parte da escola laica era tão difícil entender; sua ex já tinha falado de situações assim na escola onde trabalhava.
"Você gosta de estudar aqui, Levinson"? "Eu?! Não! Eu gostava da minha escola antiga, a tia era muito legal. Mas aí minha mãe arrumou vaga aqui, dizem que é a escola melhor do bairro, mas eu acho uma droga! Não pode fazer nada, essa diretora é cheia de história pra cima da gente! Ela grita com os aluno, grita com os professores! A dona Isabel também é chatona. No começo do ano tinha um professor maneirão, o Prof. Gilson, de História. Mas aí ele brigou com a Dona Lucrécia e foi embora, ela nem deixou ele se despedir da gente. Ela disse que ele ia ser mandado embora, porque ela mandou lá na CRE demitirem ele. Mas é caô, porque o meu vizinho estuda lá numa outra escola, a Roberto Gomes, que tem lá do outro lado da linha do trem. Aí ele tá dando aula lá. Sorte deles".
Duarte agradeceu ao menino e ofereceu mais um copo d`água, que ele tomou lentamente, em silêncio. Levinson se levantou e caminhou até a porta. Parou por um instante, e voltou-se para o policial: "Tio, a Kerollainy vai pra cadeia"? Duarte olhou seriamente para o menino, sentindo o peso do universo sobre o peito: "Não sei. Não sei... Espero que não".
Lágrimas silenciosas rolaram pelo rosto de Levinson. O garoto saiu sem se despedir.
Após um profundo suspiro e uma pausa um tanto dramática, Levinson encarou o detetive com um olhar agoniado e repetiu: "É tudo mentira, tio"! O policial dirigiu ao garoto um sorriso encorajador e pediu: "Me conte a verdade, então. Kerollainy realmente empurrou o professor"? O menino olhou para o chão, constrangido, e sacudiu a cabeça afirmativamente, em silêncio. "Então qual é a mentira"?
"A Kerollainy, ela não é uma aluna ruim, não é bagunceira. Ela é amiga da Jessilaine". "Jessilaine"? "Minha irmã, elas estudam na mesma turma. A Kerollainy é muito estudiosa, só tira nota boa. Ela é toda quietinha, sabe. Esses moleque tavam mentindo porque a diretora mandou. Ela disse que a gente tinha que falar isso, senão ia expulsar a gente. Falou também que se a gente não mentisse pra você, ia botar a gente nesses negoço aí de desacato ao professor público". "Ao funcionário público", corrigiu o detetive. "Isso, essas parada aí, tio! Esses moleque são tudo cagão"! "Você é muito corajoso. Parabéns, é uma grande virtude".
Levinson ficou encabulado com o elogio. Um tanto tímido, falou: "Tio, a Kerollainy é legal pra caramba! Ela é a melhor amiga da minha irmã. Ela vai quase todo dia lá em casa pra estudar com a Jessilaine. A Jessilaine é meio burrinha, sabe? Mas aí a Kerollainy ajuda ela, porque ela é muito esperta. Eu fico lá junto com elas conversando. Eu acho ela linda demais"... Duarte logo percebeu que Levinson tinha uma quedinha pela menina, mas não estava mentindo. Se quisesse enganar o detetive, teria desmentido o empurrão na escada.
"Me disseram que ela tinha problemas com o Prof. Júlio", provocou o policial. "Ele perseguia a Kerollainy, tio! De graça, ele sempre arrumava um caô pra botar ela de castigo depois da hora. Dizia que ela tava falando na hora da aula. Aqui a gente não pode falar nada, nada! Geral fica até com medo de fazer pergunta e ir pro castigo! Aí ele sempre inventava que tava ouvindo a Kerollainy. Ele faz isso também com a Maria Eduarda, da minha turma". "Você também é aluno do Prof. Júlio"? "Ele dá aula pra minha turma, sim. Dava aula"... "Você acha que ele era um bom professor"?
Levinson fez uma careta de desaprovação: "Ruinzão! A aula dele é chata pra caaa...raca. Ninguém aprende nada com ele. E ele ainda fica ensinando parada de igreja que não tem nada a ver". "Coisas de igreja"? "É, negoço de Ave Maria, Pai Nosso; todo mundo tem que rezar no começo da aula. Pô, eu não gosto disso, não. A gente somos crente lá em casa. Uma vez ele passou um trabalho que a gente tinha que fazer lá uma cruz, com aquelas parada de ângulo reto, essas coisa assim, mas tinha que depois colar um desenho de Jesus em cima, assim. Aí eu não fiz e ele me deu zero". Duarte se perguntava que parte da escola laica era tão difícil entender; sua ex já tinha falado de situações assim na escola onde trabalhava.
"Você gosta de estudar aqui, Levinson"? "Eu?! Não! Eu gostava da minha escola antiga, a tia era muito legal. Mas aí minha mãe arrumou vaga aqui, dizem que é a escola melhor do bairro, mas eu acho uma droga! Não pode fazer nada, essa diretora é cheia de história pra cima da gente! Ela grita com os aluno, grita com os professores! A dona Isabel também é chatona. No começo do ano tinha um professor maneirão, o Prof. Gilson, de História. Mas aí ele brigou com a Dona Lucrécia e foi embora, ela nem deixou ele se despedir da gente. Ela disse que ele ia ser mandado embora, porque ela mandou lá na CRE demitirem ele. Mas é caô, porque o meu vizinho estuda lá numa outra escola, a Roberto Gomes, que tem lá do outro lado da linha do trem. Aí ele tá dando aula lá. Sorte deles".
Duarte agradeceu ao menino e ofereceu mais um copo d`água, que ele tomou lentamente, em silêncio. Levinson se levantou e caminhou até a porta. Parou por um instante, e voltou-se para o policial: "Tio, a Kerollainy vai pra cadeia"? Duarte olhou seriamente para o menino, sentindo o peso do universo sobre o peito: "Não sei. Não sei... Espero que não".
Lágrimas silenciosas rolaram pelo rosto de Levinson. O garoto saiu sem se despedir.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Cap. 9 - As testemunhas
Duarte entrou na sala dos professores. Três meninos estavam sentados à mesa, muito quietos. Um deles era bem baixinho e mirradinho; trazia a expressão um tanto emburrada, enquanto seus colegas aparentavam grande nervosismo. O detetive cumprimentou silenciosamente os meninos, acenando com a cabeça. Antes de se sentar para a conversa, percorreu as paredes da sala, examinando os curiosos papéis afixados nos murais, que diziam bastante sobre a vida naquela escola.
Sentou-se, com expressão muito séria. A melhor coisa a fazer ali seria deixar os meninos falarem livremente; a verdade iria emergir sem grande dificuldade, imaginou. O detetive e os alunos se apresentaram rapidamente. O menorzinho emburrado se chamava Levinson, e estudava no 6.º ano; outro era gorducho, se chamava Pedro Henrique e estava no 7.º, na mesma turma de Kerollainy, 1702; o terceiro era Maicon, estudante do 9.º ano.
Duarte sorriu ambiguamente: "Sou todo ouvidos, meninos". Quase um minuto de tenso silêncio se passou até que Pedro Henrique disparasse: "Foi a Kerollainy, seu guarda! Foi ela que empurrou o Prof. Júlio da escada!"
"Foi mermo, detetive! A gente viu tudo, né"? - acrescentou Maicon - "Arrente távamo no corredor, entrano nas sala, aí ela impurrô o professor"!
Pedro Henrique interrompeu: "Mas antes eles tavam falando umas paradas, tipo assim, conversando! Aí a Kerollainy ficou toda nervosinha e empurrou o professor"! Levinson estava quieto, aparentemente ficando cada vez mais irritado; Duarte reparou o quanto sua fisionomia ainda era infantil.
"Aí o professor foi se estabacano da escada, bateno tudo, tudo! Aí arrente desceu correno pra ver como é que ele tava. Aí juntou o mó galerão em volta pra olhar. Eu nem consegui ver a cara dele, falaro que tava bizarro! Aí do nada chegou a diretora gritano parrente, aí saiu geral correno" - complementou Maicon.
Pedro Henrique encerrou o relato: "Depois que o Prof. Júlio caiu, a Kerollainy continuou lá em cima da escada, paradona, com a cara meia estranha". Duarte observou atentamente a expressão dos três. Maicon e Pedro Henrique pareciam exaustos, como se tivessem acabado de completar uma maratona. O pequeno Levinson parecia a ponto de explodir. Após breves instantes de reflexão, o detetive resolveu seu próximo passo:
"Como é o comportamento dessa Kerollainy? Ela é boa aluna"? Maicon e Pedro Henrique ficaram visivelmente tensos, e trocaram um olhar indeciso; Pedro Henrique tomou a iniciativa novamente: "Não é não, seu guarda! Essa menina não quer nada, fica só de fofoquinha e de malcriação com os professores". Maicon concordou: "É, ela fica respondeno os professores, vive de cartigo"! "Ela não estuda, não copia matéria, não faz trabalho, só tira nota ruim...", prosseguiu Pedro Henrique.
Maicon abria a boca para falar alguma coisa, quando foi interrompido por um grito: "Tudo mentira, tio! Não acredita neles, não"! A reação de Levinson foi exatamente aquela imaginada por Duarte.
"Cala a boca, moleque"! - repreendeu Pedro Henrique, seguido por Maicon: "Tá maluco, neguim"?! Os dois pareciam aterrorizados.
"Tô maluco nada, seus mentiroso! Eu num tenho medo dessa mulé, não, seus viadinho! Ainda vou falar um palavrão pra ela"! - Levinson berrava exaltado - "Eu odeio essa escola"!
Pedro Henrique dirigiu um olhar quase suplicante ao detetive: "Ele tá de palhaçada, seu guarda! Esse moleque é maluco"! Quase paralisado de pânico, Maicon suava em bicas, apesar do ar condicionado.
"Tio, me ouve, por favor! Eu tô falando a verdade! A Kerollainy é mó nerd, ela é amiga da minha irmã! Foi a diretora que mandou a gente mentir, tio! A Kerollainy só tira notão"! - Levinson olhava o detetive no fundo dos olhos, exibindo a coragem dos justos. Nesse momento, Maicon saiu subitamente de sua imobilidade. "Calaboca"!!! O rapaz do 9.º ano se abateu violentamente sobre Levinson; os dois caíram no chão, se engalfinhando! Pedro Henrique olhava atônito, com olhos do tamanho da lua.
Duarte agiu rapidamente, agarrando Maicon pelo braço e erguendo-o do chão; caindo em si, o garoto começou a chorar desesperado. Levinson se levantou enfurecido, com a blusa rasgada, pronto para atacar o colega mais velho. O policial estendeu a mão em sua direção: "Chega, Levinson! Está tudo bem. Maicon e Pedro Henrique, saiam, por favor. Quero conversar sozinho com o Levinson".
O detetive abriu a porta com um gesto convidativo; os dois meninos se retiraram com ar derrotado. Maicon chorava copiosamente, murmurando: "Minha mãe vai me arrebentar"... Duarte fechou a porta. Levinson ainda estava parado de pé, ofegante. "Pronto, meu caro. Agora, vamos ouvir a sua versão da história"!
Sentou-se, com expressão muito séria. A melhor coisa a fazer ali seria deixar os meninos falarem livremente; a verdade iria emergir sem grande dificuldade, imaginou. O detetive e os alunos se apresentaram rapidamente. O menorzinho emburrado se chamava Levinson, e estudava no 6.º ano; outro era gorducho, se chamava Pedro Henrique e estava no 7.º, na mesma turma de Kerollainy, 1702; o terceiro era Maicon, estudante do 9.º ano.
Duarte sorriu ambiguamente: "Sou todo ouvidos, meninos". Quase um minuto de tenso silêncio se passou até que Pedro Henrique disparasse: "Foi a Kerollainy, seu guarda! Foi ela que empurrou o Prof. Júlio da escada!"
"Foi mermo, detetive! A gente viu tudo, né"? - acrescentou Maicon - "Arrente távamo no corredor, entrano nas sala, aí ela impurrô o professor"!
Pedro Henrique interrompeu: "Mas antes eles tavam falando umas paradas, tipo assim, conversando! Aí a Kerollainy ficou toda nervosinha e empurrou o professor"! Levinson estava quieto, aparentemente ficando cada vez mais irritado; Duarte reparou o quanto sua fisionomia ainda era infantil.
"Aí o professor foi se estabacano da escada, bateno tudo, tudo! Aí arrente desceu correno pra ver como é que ele tava. Aí juntou o mó galerão em volta pra olhar. Eu nem consegui ver a cara dele, falaro que tava bizarro! Aí do nada chegou a diretora gritano parrente, aí saiu geral correno" - complementou Maicon.
Pedro Henrique encerrou o relato: "Depois que o Prof. Júlio caiu, a Kerollainy continuou lá em cima da escada, paradona, com a cara meia estranha". Duarte observou atentamente a expressão dos três. Maicon e Pedro Henrique pareciam exaustos, como se tivessem acabado de completar uma maratona. O pequeno Levinson parecia a ponto de explodir. Após breves instantes de reflexão, o detetive resolveu seu próximo passo:
"Como é o comportamento dessa Kerollainy? Ela é boa aluna"? Maicon e Pedro Henrique ficaram visivelmente tensos, e trocaram um olhar indeciso; Pedro Henrique tomou a iniciativa novamente: "Não é não, seu guarda! Essa menina não quer nada, fica só de fofoquinha e de malcriação com os professores". Maicon concordou: "É, ela fica respondeno os professores, vive de cartigo"! "Ela não estuda, não copia matéria, não faz trabalho, só tira nota ruim...", prosseguiu Pedro Henrique.
Maicon abria a boca para falar alguma coisa, quando foi interrompido por um grito: "Tudo mentira, tio! Não acredita neles, não"! A reação de Levinson foi exatamente aquela imaginada por Duarte.
"Cala a boca, moleque"! - repreendeu Pedro Henrique, seguido por Maicon: "Tá maluco, neguim"?! Os dois pareciam aterrorizados.
"Tô maluco nada, seus mentiroso! Eu num tenho medo dessa mulé, não, seus viadinho! Ainda vou falar um palavrão pra ela"! - Levinson berrava exaltado - "Eu odeio essa escola"!
Pedro Henrique dirigiu um olhar quase suplicante ao detetive: "Ele tá de palhaçada, seu guarda! Esse moleque é maluco"! Quase paralisado de pânico, Maicon suava em bicas, apesar do ar condicionado.
"Tio, me ouve, por favor! Eu tô falando a verdade! A Kerollainy é mó nerd, ela é amiga da minha irmã! Foi a diretora que mandou a gente mentir, tio! A Kerollainy só tira notão"! - Levinson olhava o detetive no fundo dos olhos, exibindo a coragem dos justos. Nesse momento, Maicon saiu subitamente de sua imobilidade. "Calaboca"!!! O rapaz do 9.º ano se abateu violentamente sobre Levinson; os dois caíram no chão, se engalfinhando! Pedro Henrique olhava atônito, com olhos do tamanho da lua.
Duarte agiu rapidamente, agarrando Maicon pelo braço e erguendo-o do chão; caindo em si, o garoto começou a chorar desesperado. Levinson se levantou enfurecido, com a blusa rasgada, pronto para atacar o colega mais velho. O policial estendeu a mão em sua direção: "Chega, Levinson! Está tudo bem. Maicon e Pedro Henrique, saiam, por favor. Quero conversar sozinho com o Levinson".
O detetive abriu a porta com um gesto convidativo; os dois meninos se retiraram com ar derrotado. Maicon chorava copiosamente, murmurando: "Minha mãe vai me arrebentar"... Duarte fechou a porta. Levinson ainda estava parado de pé, ofegante. "Pronto, meu caro. Agora, vamos ouvir a sua versão da história"!
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Cap. 8 - Menina má
Duarte acabara de retornar ao pátio interno quando a Prof.ª Isabel, diretora adjunta vinha a seu encontro. "Aqui está a ficha da culpada! A Prof.ª Lucrécia pediu para lhe entregar".
O detetive encarou Isabel por alguns segundos: "A senhora quis dizer suspeita, não? Todos somos inocentes até que se prove o contrário". A diretora adjunta corou, mas retorquiu: "De qualquer modo, aqui está a ficha completa da suspeita, com o caderno de ocorrências da turma dela". Duarte apanhou o caderno e o envelope de papel pardo onde se lia a esferográfica, em caracteres de imprensa: "KEROLLAINY DOS SANTOS". Isabel olhava com sua postura mais ereta que uma régua escolar enquanto ele abria o envelope, de onde retirou um formulário com os dados da aluna.
O policial fez uma rápida leitura das informações mais relevantes. "Nome completo: Kerollainy dos Santos; Data de nascimento: 27/02/2001; Cor: Parda; Filiação - Mãe: Marina dos Santos; Escolaridade: Ensino fundamental incompleto; Profissão: Vendedora; Pai: José Carlos dos Santos; Escolaridade: Ensino fundamental incompleto; Profissão: Pedreiro". Uma foto 3x4 tirada alguns anos antes mostrava uma adorável menininha sorridente, com um dente de leite faltando.
O detetive prosseguiu abrindo o caderno onde as ocorrências de indisciplina da turma 1702 deveriam ser registradas. Os nomes dos alunos encimavam as folhas em etiquetas impressas, seguindo a ordem de chamada. As páginas se encontravam rigorosamente em branco, o que não espantava, numa escola onde o medo era regra. A única exceção era a ficha de Kerollainy, onde diversas ocorrências escritas com a mesma caligrafia e a mesma caneta recheavam duas páginas e meia. Registros como:
"15/03/13
A aluna desrespeitou o professor durante a aula.
Prof. Júlio - Matemática"
"10/05/13
A aluna se recusou a obedecer uma ordem do professor, desacatando-o e rindo.
Prof. Júlio - Matemática"
"23/05/13
A aluna desrespeitou a autoridade do professor durante a aula.
Prof. Júlio - Matemática"
E mais dezessete ou dezoito variantes do tema, sempre assinadas: "Prof. Júlio - Matemática".
"Parece que ela só tinha problemas com o Prof. Júlio", comentou casualmente o detetive.
"Sim, de fato".
"Mas não era um dos 'melhores' professores da escola? Temido por todos os alunos?"
Isabel gaguejou: "S-sim, mas há exceções. Essa menina é particularmente... terrível".
Duarte sorriu, intrigado. Nesse momento notou que havia outra folha no envelope. Era um boletim escolar. A frequência de Kerollainy era impecável, nenhuma falta no ano inteiro. Já as notas eram bastante ruins, sempre baixas. Em Matemática seus resultados eram particularmente ruins: 2,5 (primeiro bimestre), 4,5 (segundo bimestre) e 3,0 (terceiro bimestre).
Mas o detetive tinha uma sensação estranha, mas logo se deu conta. O papel. Estava quente. "Acabou de sair da impressora", refletiu Duarte, franzindo levemente o cenho.
Isabel pigarreou: "As testemunhas estão prontas, aguardando na sala dos professores. Quando o senhor quiser..."
O detetive encarou Isabel por alguns segundos: "A senhora quis dizer suspeita, não? Todos somos inocentes até que se prove o contrário". A diretora adjunta corou, mas retorquiu: "De qualquer modo, aqui está a ficha completa da suspeita, com o caderno de ocorrências da turma dela". Duarte apanhou o caderno e o envelope de papel pardo onde se lia a esferográfica, em caracteres de imprensa: "KEROLLAINY DOS SANTOS". Isabel olhava com sua postura mais ereta que uma régua escolar enquanto ele abria o envelope, de onde retirou um formulário com os dados da aluna.
O policial fez uma rápida leitura das informações mais relevantes. "Nome completo: Kerollainy dos Santos; Data de nascimento: 27/02/2001; Cor: Parda; Filiação - Mãe: Marina dos Santos; Escolaridade: Ensino fundamental incompleto; Profissão: Vendedora; Pai: José Carlos dos Santos; Escolaridade: Ensino fundamental incompleto; Profissão: Pedreiro". Uma foto 3x4 tirada alguns anos antes mostrava uma adorável menininha sorridente, com um dente de leite faltando.
O detetive prosseguiu abrindo o caderno onde as ocorrências de indisciplina da turma 1702 deveriam ser registradas. Os nomes dos alunos encimavam as folhas em etiquetas impressas, seguindo a ordem de chamada. As páginas se encontravam rigorosamente em branco, o que não espantava, numa escola onde o medo era regra. A única exceção era a ficha de Kerollainy, onde diversas ocorrências escritas com a mesma caligrafia e a mesma caneta recheavam duas páginas e meia. Registros como:
"15/03/13
A aluna desrespeitou o professor durante a aula.
Prof. Júlio - Matemática"
"10/05/13
A aluna se recusou a obedecer uma ordem do professor, desacatando-o e rindo.
Prof. Júlio - Matemática"
"23/05/13
A aluna desrespeitou a autoridade do professor durante a aula.
Prof. Júlio - Matemática"
E mais dezessete ou dezoito variantes do tema, sempre assinadas: "Prof. Júlio - Matemática".
"Parece que ela só tinha problemas com o Prof. Júlio", comentou casualmente o detetive.
"Sim, de fato".
"Mas não era um dos 'melhores' professores da escola? Temido por todos os alunos?"
Isabel gaguejou: "S-sim, mas há exceções. Essa menina é particularmente... terrível".
Duarte sorriu, intrigado. Nesse momento notou que havia outra folha no envelope. Era um boletim escolar. A frequência de Kerollainy era impecável, nenhuma falta no ano inteiro. Já as notas eram bastante ruins, sempre baixas. Em Matemática seus resultados eram particularmente ruins: 2,5 (primeiro bimestre), 4,5 (segundo bimestre) e 3,0 (terceiro bimestre).
Mas o detetive tinha uma sensação estranha, mas logo se deu conta. O papel. Estava quente. "Acabou de sair da impressora", refletiu Duarte, franzindo levemente o cenho.
Isabel pigarreou: "As testemunhas estão prontas, aguardando na sala dos professores. Quando o senhor quiser..."
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