Enquanto Levinson saía, Duarte percebeu a Prof.ª Isabel trazendo uma outra professora. Era uma senhora bonita, bem conservada e bem arrumada, apesar de um penteado um tanto peculiar. A diretora adjunta explicou: "Como o senhor queria falar com os professores da turma 1702, resolvi ir adiantando! Essa é a Prof.ª Tatiana, que leciona Artes Visuais". Após os devidos cumprimentos, o detetive conduziu a professora ao interior da sala dos professores, onde sentaram à mesa.
Duarte percebeu que Tatiana mostrava um semblante calmo, mas os gestos nervosos das mãos traíam o quanto essa tranquilidade era encenada.
"E então, a senhora diria que a Kerollainy é uma boa aluna"?
"Na minha aula ela não dá trabalho".
"E o comportamento dela com os outros professores"?
"Não faço ideia" - respondeu Tatiana atabalhoadamente.
"Nem em relação ao Prof. Júlio? Parece que eles tinham alguns aborrecimentos"...
"Não tenho ideia".
A professora permanecia esquiva. O policial logo percebeu que não obteria grande coisa com essa entrevista. Tentou uma última sondagem:
"A senhora gostava do Prof. Júlio? Como ele era"?
Tatiana fez menção de falar, mas hesitou por um átimo de segundo. Por fim, respondeu: "Nunca tivemos muito contato. Nossos horários não costumavam bater". Duarte fez uma breve anotação em sua caderneta. A professora olhou teatralmente para seu relógio de pulso: "Já acabamos"? Resignado, Duarte dispensou-a com uma rápida despedida.
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