sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Cap. 12 - O professor de Geografia

Enquanto aguardava que Isabel trouxesse o próximo entrevistado, Duarte aproveitou para dar uma olhada no quadro de horários dos professores, afixado com fita adesiva à porta de um armário. Uma rápida verificação foi suficiente para perceber que havia algo errado com as afirmações da Prof.ª Tatiana. Segundo a planilha indicava, ela e o Prof. Júlio tinham tempos vagos em comum durante três dias da semana. A escola era pequena demais para que os dois nunca tivessem contato nesses horários, especialmente na sala dos professores. Mesmo que se falassem pouco, ela deveria ter alguma opinião sobre o colega - o que, inclusive, justificaria a falta de contato. "De duas uma: ou ela está mentindo descaradamente ou, pelo menos, evitando se comprometer" - concluiu o detetive. Ambas alternativas pareciam confirmar suas suspeitas de que havia algo errado na Escola Municipal República de Genosha.

Após alguns minutos de espera, a diretora adjunta bateu na porta, conduzindo outro professor. Dessa vez se tratava de um homem em torno de seus quarenta e cinco anos, trajando roupas esportivas, apresentado como Prof. Otávio, de Geografia. Estava visivelmente agitado, piscando nervosamente os olhos.

Duarte e o professor sentaram-se à mesa. Otávio parecia uma besta acuada. O detetive resolveu que era hora de jogar duro. Durante mais de um minuto observou silenciosamente o professor, de quando em quando traçando anotações no caderno - apenas notas aleatórias, mas Otávio mostrava pequenos sobressaltos a cada vez que o policial escrevia alguma coisa. Por fim, julgando que a tensão já era suficiente, sem alterar a voz, o detetive perguntou à queima-roupa: "E então, o que vocês estão escondendo"?

O professor arregalou os olhos, gaguejando: "Q-quê"?

"Sei que estão mentindo para mim. O senhor tem ideia do quanto é grave prestar falso testemunho"?

Otávio partiu para a defensiva: "Só não quero me envolver com essa história"!

"História? Que história? Da armação"?

"Armação? Eu... eu... nem falei com a Lucrécia"!

"Lucrécia? Quem falou na Prof.ª Lucrécia? A carapuça está servindo"?! - Otávio engoliu em seco, com um olhar suplicante; sempre calmo, o detetive prosseguiu: "Do que vocês todos estão com medo aqui"?

Numa súbita explosão, o professor pôs-se de pé: "Agora chega! Não vou ficar aqui ouvindo essas calúnias! Só falo na presença de um advogado"!

Duarte sorriu: "Calma, calma... Não precisamos desse nervosismo todo. Quero fazer apenas uma pergunta, depois o senhor pode ir embora tranquilamente". Em tom de ansioso alívio, como se prestes a escapar da jaula de um leão, o professor respondeu: "Diga, então! Estou com alunos lá em cima"...

Após breve pausa, o detetive perguntou: "Qual foi a nota de Kerollainy em sua disciplina no último bimestre"? Depois de alguns segundos hesitante, o professor respondeu: "Foi... quatro e meio"! Duarte anotou a resposta em sua caderneta. Em seguida, sorriu ironicamente: "Que boa memória"! Otávio enrubesceu como um tomate maduro: "Se... se isso é tudo... vou andando pra minha sala"! Sem dar tempo ao detetive, Otávio fugiu da sala dos professores como uma criança travessa...

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